sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Bipolar


















Eu nunca quis dominar o mundo,
Exceto quando o meu mundo era você
E ainda que nada mais seja como antes
Aqui em mim, continua tudo igual.
Como se o meu tolo coração
Nunca tivesse recebido o aviso prévio de despejo.
Exilado de um sentimento,
Assim eu sigo nessa falta de controle
Que oscila entre o amor e a indiferença,
Entre o ódio e a evidência.
Pois quando o meu sorriso não encontra o teu,
Ele não é feliz da forma que eu sei que pode ser.
E é doloroso quando o nunca se torna sempre,
Quando a ausência é permanente.
Mas ainda sim, encontro alegria em meus dias
E me apoio na lembrança do que fomos.
Sou uma foto congelada no tempo,
Onde cada dia fica mais difícil
Enxergar alguém além de mim na foto.
E se me vejo sozinho, me desespero.
E se me olho nos olhos não vejo nada.
É quando fecho os olhos que me encontro,
Pois dessa forma, somente assim.
Eu posso enxergar você nitidamente
E eu gosto de te ver sorrindo,
Meu ponto de equilíbrio,
Meu sonho interrompido,
Meus pólos definidos.
Eu nunca quis dominar o mundo,
Exceto quando o meu mundo era você.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Duas bolas, por favor!

Duas bolas , por favor

Não há nada que me deixe mais frustrada do que pedir sorvete de sobremesa,contar os minutos até ele chegar e aí ver o garçom colocar na minha frente uma bolinha minúscula do meu sorvete preferido.
Uma só.
Quanto mais sofisticado o restaurante, menor a porção da sobremesa.
Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência, comprar um litro de sorvete bem cremoso e saborear em casa com direito a repetir quantas vezes a gente quiser, sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação.

O sorvete é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano.
A vida anda cheia de meias porções, de prazeres meia-boca, de aventuras pela metade.
A gente sai pra jantar, mas come pouco.
Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons.
Conquista a chamada liberdade sexual, mas tem que fingir que é difícil (a imensa maioria das mulheres continua com pavor de ser rotulada de 'fácil').

Adora tomar um banho demorado, mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta.

Tem vontade de ficar em casa vendo um dvd, esparramada no sofá, mas se obriga a ir malhar.

E por aí vai.

Tantos deveres, tanta preocupação em 'acertar', tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação...
Aí a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e existencialmente sem-graça, enquanto a gente vai ficando melancolicamente sem tesão...

Às vezes dá vontade de fazer tudo “errado”.
Deixar de lado a régua, o compasso, a bússola, a balança e os 10 mandamentos.
Ser ridícula, inadequada, incoerente e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito.
Recusar prazeres incompletos e meias porções.

Nós, que não aspiramos a santidade e estamos aqui de passagem, podemos desejar várias bolas de sorvete, bombons de muitos sabores, vários beijos bem dados, a água batendo sem pressa no corpo, o coração saciado.

Um dia a gente cria juízo.
Um dia...
Não tem que ser agora.

Por isso, garçom, por favor, me traga: cinco bolas de sorvete de chocolate...
Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago.